BRASIL
Programa Cisternas no Semiárido: Impactos Positivos na Saúde Infantil
28 de abril de 2026 às 08:30 · 11121769

Estudo da FGV revela benefícios da captação de água para gestantes e recém-nascidos na região semiárida do Brasil
A pesquisa realizada pela Escola de Economia de São Paulo (FGV EESP) revelou que o Programa Cisternas, que visa a captação e armazenamento de água da chuva, tem um impacto significativo na saúde de recém-nascidos no Semiárido brasileiro. O estudo, intitulado ‘Políticas de adaptação climática e saúde infantil: Evidências de uma política hídrica no Brasil’, destaca que gestantes beneficiadas pelo programa apresentam maiores chances de ter bebês mais saudáveis. Daniel da Mata, coordenador da pesquisa, elucidou que a cada semana em que as gestantes têm acesso a esse recurso, o peso do bebê aumenta em média 2 gramas. Esse dado é crucial, uma vez que a Organização Mundial da Saúde (OMS) classifica como ‘baixo peso’ os bebês que nascem com menos de 2.500 gramas, o que está associado a riscos de saúde significativos.
Camile Sahb, diretora de Promoção da Inclusão Produtiva Rural e Acesso à Água do Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social (MDS), enfatizou a relevância do Programa Cisternas, que não só contribui para a redução da mortalidade infantil, mas também melhora a segurança alimentar e a qualidade de vida das comunidades do Semiárido. “Esse estudo reforça a importância das tecnologias sociais de captação e armazenamento de água da chuva para a dignidade das pessoas da região”, afirmou.
Para 2023, o MDS anunciou um edital público com investimento de R$ 400 milhões para a construção de cisternas em dez estados do Brasil, incluindo os nove da Região Nordeste e Minas Gerais. O projeto prevê a implementação de 47.550 cisternas de consumo e 3.940 cisternas voltadas para a produção de alimentos.
A pesquisa de Daniel da Mata se baseou em dados coletados entre 2011 e 2017, envolvendo cinco mil gestantes que receberam as cisternas. Ao comparar gestantes que tiveram acesso ao programa desde o início da gravidez com aquelas que foram beneficiadas apenas nas últimas semanas, ficou evidente que o aumento no acesso às cisternas está correlacionado com o aumento do peso ao nascer. Essa constatação é surpreendente, especialmente considerando que as gestantes não são o público-alvo inicial do programa, que prioriza crianças e idosos.
O pesquisador sugere que os resultados desta pesquisa possam fundamentar uma expansão do público prioritário do Programa Cisternas, uma vez que os custos de implementação são relativamente baixos em comparação aos benefícios significativos para a saúde infantil. Ele também ressalta a importância de avaliar a eficácia das políticas públicas, especialmente aquelas direcionadas a populações vulneráveis, utilizando metodologias similares em outras iniciativas governamentais.
Além disso, a pesquisa foi reconhecida pela Comissão de Pesquisa e Inovação da FGV, sendo uma das 17 destacadas em 2023 e será premiada durante o VII Simpósio de Pesquisa da Fundação Getulio Vargas, entre os dias 12 e 14 de setembro, no Rio de Janeiro. Os dados da pesquisa não apenas reforçam a importância do Programa Cisternas, mas também ressaltam a necessidade de políticas que atendam às demandas específicas das comunidades do Semiárido, garantindo assim um futuro mais saudável para as próximas gerações.



