BRASIL
Marcha das Margaridas em Brasília: Um Grito de Resistência das Mulheres do Campo
28 de abril de 2026 às 08:31 · 11121769

Evento reúne mais de 100 mil mulheres de diversas regiões do Brasil em defesa dos direitos e da soberania alimentar
A Marcha das Margaridas, um evento emblemático que ocorre a cada quatro anos, mobiliza milhares de mulheres em Brasília, unindo forças em prol da luta por direitos e reconhecimento. Neste ano, na quarta-feira, 16 de agosto, as participantes percorrerão cerca de dez quilômetros, partindo do Parque da Cidade até a Esplanada dos Ministérios, um trajeto que simboliza a luta e a resistência das mulheres do campo, da floresta e das cidades.
A marcha é promovida pela Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura (Contag), juntamente com federações, sindicatos e diversas organizações parceiras. O lema deste ano, ‘Pela Reconstrução do Brasil e pelo bem viver’, reflete a urgência de reivindicações por justiça social e igualdade de direitos.
Entre as participantes, Cida Rodrigues, que veio de Urandi, na Bahia, destaca a importância do evento não só para a agricultura familiar, mas também para o combate à violência contra as mulheres. “Estamos aqui para reivindicar várias pautas, incluindo segurança alimentar e nutricional”, declara Cida, que integra uma caravana de 42 mulheres.
A Marcha das Margaridas se destaca por reunir não apenas brasileiras, mas também representantes de 33 países. As atividades começaram na terça-feira, 15 de agosto, com painéis e discussões sobre temas relevantes para as mulheres rurais e urbanas, refletindo a diversidade de experiências e necessidades.
Suzana da Silva Pimentel, professora de sociologia e participante pela primeira vez, expressa a força coletiva que a marcha representa. “É uma oportunidade de mostrar a força das mulheres do interior da Bahia e de enfatizar nossas necessidades”, afirma.
A história da Marcha das Margaridas é uma homenagem a Margarida Maria Alves, uma sindicalista paraibana brutalmente assassinada em 1983, que se tornou um símbolo da luta pelos direitos das mulheres trabalhadoras rurais. De acordo com Dennise Januário, advogada e conterrânea de Margarida, a marcha é uma forma de perpetuar seu legado e de mobilizar ainda mais mulheres em busca de políticas públicas que atendam suas demandas.
Os eixos políticos da marcha incluem temas como democracia participativa, soberania alimentar, democratização do acesso à terra, autonomia econômica e liberdade das mulheres sobre seus corpos. Esses tópicos, abordados durante a marcha, são fundamentais para garantir que as vozes das mulheres sejam ouvidas nas esferas de decisão política.
Mazé Morais, coordenadora-geral da Marcha, ressalta que a presença de tantas mulheres em Brasília é uma demonstração da força coletiva e da vontade de transformar a realidade do Brasil. “Estamos aqui para apresentar uma agenda importante e para construir uma convivência sem desigualdade, sem pobreza e sem violência”, afirma ela, enfatizando a necessidade de uma relação equilibrada com a natureza e a promoção de práticas sustentáveis.
A Marcha das Margaridas não é apenas um evento; é uma manifestação poderosa que busca ressoar em todo o Brasil. Ao se reunirem na capital, essas mulheres enviam uma mensagem clara: a luta por direitos e justiça social deve ser uma prioridade para toda a sociedade.
Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil



